
Cada clube grande de qualquer lugar do mundo acaba por ter suas características, seu estereótipo.Aqui no Brasil, regionalmente temos isso muito nítido, os torcedores acabam seguindo essas marcas, independentemente da sua real condição de vida. Por exemplo, o corinthiano mesmo que seja rico, bem educado e de bem com a vida, adora estar no Pacaembu e gritar “corinthiano, maloqueiro e sofredor”. O Palmeirense de descendência africana ou grega se orgulha de falar “Palestra” com sotaque bem Italiano.
Mas o são paulino é o caso mais patológico, a pecha tricolor é do rico, arrogante, soberbo, elitista e preconceituoso. Seu estádio está na divisa dos bairros Jardim Leonor e Vila Sônia, basta consultar o CEP das ruas do entorno, mas ficou com o apelido de Morumbi que é um dos bairros mais nobres de São Paulo.
É comum ver um torcedor tricolor do subúrbio que não teve dinheiro nem pro almoço ostentando a condição de seu time contra um adversário da elite que anda num carro conversível.
Mas enquanto isso fica no âmbito das torcidas, tudo bem, pode ser mesmo uma grande brincadeira, uma diversão, o problema é quando os líderes dos clubes passam a acreditar nesses estigmas, e as coisas ficam sérias. O Juvenal Juvêncio é um empresário bem sucedido, criador de cavalos, proprietário de haras, muito rico. Sua condição financeira é proporcional a sua soberba, ele é um verborrágico excessivo.
Essa sua mania de esnobar a tudo e a todos, achar que o SPFC está acima do bem e do mal no nível de Milan, Inter, Real Madrid e Barcelona, tem prejudicado e muito o clube nos últimos anos.
O Juvenal conseguiu brigar com todos os grandes dirigentes do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira da CBF, Marco Polo Del Nero da FPF, o presidente do Corinthians Andrés Sanches, os ex-presidente do Santos Marcelo Teixeira, o presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Beluzzo e o ex-presidente do Flamengo Márcio Braga, e muitos outros que o acusam com razão de aliciar jogadores para rescindir seus contratos e jogar no SPFC sem multa rescisória.
O SPFC foi excluído pela FIFA de ceder seu estádio para a copa de 2014 por influência da CBF, viu seus adversários, inquilinos de muitas décadas não mandarem mais seus jogos no Morumbi, nem em decisões.
Não bastasse tudo isso, ontem ele fez um papel de babaca preconceituoso e saiu disparando bobagens contra o bairro de Itaquera. Na cabeça do burguês, um bairro como Itaquera não pode jamais sediar um copa do mundo, porque lá só da pra ir sem carro de bombeiro, que se a chanceler alemã Angela Merkel vier assistir um jogo na zona leste, ela não chegaria lá, e se conseguisse chegar, não voltaria. Caso o Blatter passe mal no estádio, não tem hospital para atendê-lo e não há hotéis na região para receber turistas.
Quem não conhece a cidade de São Paulo e ouve ele dizer essas coisas, imagina que o Morumbi é bem localizado, com estacionamentos de sobra, pertinho do centro, com trem, metrô e vias expressas para chegar e sair como e quando bem entende, mas a realidade é outra.
Eu consultei no Google mapas, para ter exatidão as distâncias, partindo da Praça da Sé, marco zero de São Paulo até o Morumbi e depois até Itaquera. O estádio tricolor está 15,1 km da Sé, e Itaquera 18,5 km. Então 3,4 km causa toda essa diferença? Mas em Itaquera, o metrô e o trem são exatamente no local do futuro estádio e no Morumbi a estação mais próxima está mais de 2 km distante. No Morumbi não tem estacionamento e o transito em dias de jogos é insuportável.
E tem outro detalhe, do Aeroporto Internacional de Guarulhos até Itaquera, a distância é de 21,1 km e do Morumbi é de 49,7 km, mais do que o dobro. Em Guarulhos, a rede hoteleira é ótima e até 2014 pode melhorar, até lá é prevista uma linha de metrô saindo do aeroporto que pode resolver o problema do turista que tiver hospedado em qualquer lugar do Brasil e venha pra SP só para os jogos, vai do aeroporto direto pro estádio e volta em segurança, gastando pouco.
Quanto aos hospitais, a idéia da FIFA é deixar o legado da copa nas regiões dos estádios, nada mais propício para se reformar o Santa Marcelina que já existe e construir outros novos. Sem contar que para um evento desse porte, ambulâncias, helicópteros e hospitais provisórios, como da fórmula 1 resolveriam o problema.
Pra encerrar, o futuro estádio do Corinthians pode nem sair do papel como já aconteceu diversas vezes e Itaquera continuar o subúrbio esquecido, o que parece improvável desta vez pelo envolvimento de Odebrecht, Lula, FIFA, Ricardo Teixeira e etc, mas esse comportamento estúpido do Juvenal Juvêncio só há uma certeza, o soberbo Morumbi, está fora.
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